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Belgrado

Foi a grande surpresa da nossa viagem; por força da comunicação social ocidental, a Sérvia foi sempre colocada do lado errado da barricada e essa é uma formulação preconceituosa, acerca de qualquer povo. Na guerra do desmembramento da Jugoslávia, a Sérvia errou, na mesma medida em que erraram todas as outras partes em conflito.

Nas guerras, os sinos dobram sempre por todos.

Chegámos à pequena e provinciana estação central de Belgrado, debaixo de um céu plúmbeo, numa madrugada gelada. Uma miríade de pequenas colinas de neve estendia-se pela estação, os largos e as ruas. A envolvente cinzenta, como cenário de um filme de outras décadas, a neve escura, suja e o gelo derrapante dificultavam o caminhar. A primeira impressão foi quase negativa, mas com a chegada ao ‘’traveling actor’’, a nossa casa em Belgrado, numa rua pedonal, de casas tradicionais, plena de bares, cafés e restaurantes, com esplanadas enterradas na neve, reconciliámo-nos com a cidade. As grandes surpresas são sempre mais saborosas do que o imediatamente previsível.

Afinal Belgrado é uma cidade bonita e de elevado potencial; os parques e praças, brancos de neve, adivinham calorosas noites de verão. Os cafés e restaurantes, de deliciosa gastronomia, são agradáveis e bem decorados; convidam a largas permanências e conversas amistosas. As livrarias, com muitos autores Portugueses, de quase indecifráveis nomes traduzidos em Sérvio, enchem-se de leitores e visitantes. Os edifícios históricos coroam as grandes avenidas. A população, afável, vibrante e cosmopolita, anima os finais de tarde, mesmo com baixíssimas temperaturas, convivendo em grandes grupos de altíssimos e bens constituídos jovens.

Belgrado estende-se na margem direita do Danúbio, onde o Sava, nele mergulha e, no alto da colina, percorremos a fortaleza, de muralhas nevadas, olhando o abraço dos rios.

No centro da cidade permanecem os edifícios governamentais, esventrados pelos bombardeamentos cirúrgicos de 1999, não sabemos se para memória dos Sérvios, de todos os outros, ou se para castigo colectivo.

Os dias de Belgrado correram céleres e partimos, para mais uma noite no’’expresso do oriente’’, já com saudades desse estranho e fascinante, povo Sérvio, que celebra as derrotas, como a do campo dos Melros, no longínquo século XIII, mais do que as vitórias. Assim se vive em Belgrado.

Rui Neves Munhoz; Fevereiro / Março de 2012:uma viagem de Inverno através dos Balcãs, inventada pelos meus Amigos Inácio Rozeira e Tiago Costa. A descoberta de uma vibrante e cosmopolita cidade de belgrado. (consultar: www.nomad.pt).

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