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Já não há crimes no ‘’Expresso do Oriente’’

Quando descobri o projecto Nomad de reviver parte do mítico traçado do comboio, entre Viena e Istambul, tardei apenas alguns segundos em injectar de adrenalina o corpo e o espírito, porque quando a cabeça não tem juízo, o corpo é que paga e, ainda que tivesse que partir todos os mealheiros inexistentes e estoirar todo os orçamentos ainda não rectificados, gritei yes.

Antes da partida, os meus companheiros foram Grahan Greene, Aghata Christie e Irving Wallace, para companheiro de cabine, levei Pamuk e algum sentido de humor, para encarar algumas hipotéticas surpresas.

Desde 1883, o defunto ‘’expresso do oriente’’, viveu guerras e cortinas de ferro, sofreu amores desavindos e crimes literários, transportou aristocratas e reis de boa e má memória, cantores e estrelas de cinema, políticos, espiões e romancistas, generais e cardeais e, o nosso grupo Nomad.

As nossas noites foram quentes, em confortáveis cabines cama de 3 lugares, conversámos e sonhámos, enquanto lá fora, a neve tudo pintava de branco.

Durante a noite, quando faltavam 23 minutos para a 1 hora, perto de Belgrado, mas no sentido inverso, ninguém escutou barulhos na cabine vizinha, nem tocou a companhia vislumbrando um vulto no compartimento, não passou uma mulher de quimono vermelho pelo corredor, nem foi encontrado um lenço, nem tão pouco um limpador de cachimbos e, como tudo está bem, quando acaba bem, ninguém foi esfaqueado 12 vezes.

No percurso entre Budapeste e Belgrado, um simpático revisor, orgulhoso Jugoslavo de outrora, entre cerveja, café e pedaços de queijo, lamentou-nos a desventura de tão grande país, desmembrado e fragmentado, por ódios centenários, perante o silêncio de uma Europa cobarde.

Daquele comboio, permanecerá todo um imaginário utópico, que nos continuará a fascinar. A literatura, o cinema perpetuarão o ‘’expresso do oriente’’, como cenário de intrigas internacionais, crime, luxo e mistério, mas para nós que não reunimos esses requisitos, será mais uma inesquecível viagem de aventura, nem mais, nem menos, do que qualquer outra, porque todos os caminhos são fundamentais para que os nossos corações sejam um pouco mais tolerantes, um pouco mais solidários.

Assim se viaja na família ‘’Nomad’’, como amigos e companheiros de aventura, criando laços, e cumplicidades partilhadas. Os meus magníficos companheiros de aventura foram: João e Maria Flamínia, Tiago e Inácio, as 2 Luísas, a Andreia, o Mário, a Paula e o Paulo, o Zé e a Maria Antónia.

Rui Neves Munhoz, Abril de 2012. Viagem inventada pelo Inácio Rozeira e Tiago Costa, da ”Nomad”, meus Amigos e companheiros de viagem, nesta aventura no ”Expresso do Oriente”. (consultar www.nomad.pt).

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