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Viena

Aí nos encontrámos e criámos os primeiros laços com os restantes companheiros de mais uma aventura ‘’Nomad’’, desta vez tentando reinventar as rotas perdidas sobre carris, que outrora percorrera o mítico ‘’expresso do oriente’’. Para soltar as conversas e ler nas entrelinhas das palavras de cada um, nada melhor do que percorrer os cafés de Viena, porque uma cidade não se conhece apenas pelos seus monumentos, mas essencialmente pelas pessoas que a povoam. Os cafés onde se confraterniza e se partilham afectos e conversas desgarradas e as praças, são o que de melhor cada cidade nos pode oferecer. Em Viena, para começar, um delicioso bolo de chocolate, preferencialmente no’’sacher’’, junto à ópera, onde os nossos blusões de penas ladeavam aristocráticos casacos de peles, ou umas cervejas num dos muitos bares, confortáveis e aconchegados, que povoam o centro histórico.

Não sei se viajar é uma arte, ou um vício, acredito apenas que é um prazer, com muito de devoção e vontade de aprender. Devemos partir sem preconceitos e com o espírito aberto, porque apesar de sermos todos diferentes, somos todos iguais.

Viena é monumental, barroca com tiques de rococó, plena de palácios, de jardins e arcadas triunfais, coroados por diáfanas cúpulas em tons de bronze, dourado e verde, desenhados em curvas fachadas e rasgados por imensos pátios por onde se cruzam pretéritas carroças, puxadas por cavalos emplumados. Viena é vaidosa, o espelho de séculos de história e tradições, vergada sob o peso de um império, plena de igrejas e catedrais desmesuradas com telhas em colorido bordado. Mas Viena é também uma cidade complexada, que não soube aceitar os seus fantasmas passados, é a cidade dos escritores que dela fugiram, com receio de si próprios, dos compositores miseráveis que se tornaram megalómanos, dos políticos totalitários, obscuros e de vida dupla, democraticamente eleitos. Viena tem um cérebro Europeu, mas assume um coração essencialmente Germânico.

Viena é a cidade onde todos os beijos poderiam ter sido inventados por Klint, mas onde as cores do Danúbio nunca são azuis. Foi a cidade onde Freud inventou o divã, mas onde os Vienenses se recusaram deitar. É a cidade onde a Europa e o oriente se encontraram e separaram, sem se conhecerem.

É a primeira etapa da nossa aventura pelos trilhos do ‘’Expresso do oriente’’, rumo a Budapeste, mas essa é outra história.

Rui Neves Munhoz, Março de 2012. Texto publicado no ”Magazine Nomad”. Viagem inventada pelos meus Amigos Inácio Rozeira e Tiago Costa, para a ”Nomad” e feita com ambos, em Fevereiro / Março de 2012. (consultar: www.nomad.pt).

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