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Istambul: Istiklal Caddesi.

A praça Taksim, vasta e feia, fervilhava de vida; bandeiras desfraldadas ao vento; gritos e palavras de ordem ecoavam das gargantas; braços erguiam-se. Pensámos tratar-se dos preparativos para o grande ‘’derby’’ da tarde, quando o Galatasaray e um Besiktas, com seis pérolas’’tugas’’, se defrontariam, mas essa seria outra ‘’estória’’, mais para o final da tarde.

Estávamos a assistir ao inicio de uma manifestação de índole patriótica, que acontecia invariavelmente, todas as tardes, logo a seguir ao almoço, como um ritual de expiação de culpas próprias, transformadas em raivas alheias.Tudo havia tido início, alguns dias antes, com afirmações de um homem, chamado Sarkozy, acerca do tabu Turco; chamado ‘’genocídio Arménio’’. O tal Sarkozy, egocêntrico assumido, ridículo quanto baste, que não soube governar o seu país, distraía-se a dar ‘’lições de moral’’, aos outros países, criando ’’faits divers’’ que entretivessem os Franceses.

Claro que todos nós sabemos que houve um genocídio Arménio, como houve um genocídio Curdo, no século XX, mas para a doutrina oficial Turca, esse é um tema proibido.

Na praça Taksim, perguntei a um policia de choque, fardado ‘’comme il faut’’, com capacete e um escudo em acrílico; se a Istiklal Caddesi era a primeira, ou a segunda saída à esquerda. O simpático militar, indicou-me de imediato, o caminho para a grande avenida pedonal de Istambul. A Luísa, ficou admirada, por eu pedir a informação a um elemento da polícia de choque, mas então confessei-lhe que adorava fardas, um fetiche. Talvez noutra encarnação, tenha sido militar, de uma democracia musculada!

Já na Istlikal, enquanto o Tiago, verdadeiro repórter de guerra, se embrenhava numa barulhenta, folclórica e extensa manifestação patriótica. Nós, ‘’tugas’’ aventureiros, mas inibidos, deslizámos sorrateiramente, entre os manifestantes e os edifícios da avenida, entrámos num restaurante e, das protectoras janelas do primeiro piso, passámos a apreciar a ”fiesta”.

Os diversos grupos de Turcos entusiásticos, alguns devidamente vestidos com trajes dos áureos tempos do império Otomano, ostentavam cartazes de inspiração assumidamente xenófoba, contra a Arménia e a França.  Os Turcos são como aqueles pais extremosos, que todo o tempo dizem mal dos próprios filhos, mas que não permitem que mais ninguém tenha essa ousadia e desplante.

Frente ao restaurante, onde nos deliciámos com mais um magnífico repasto, mirávamos das amplas janelas, tão bem encenada manifestação. Em frente, o consulado geral de França, encontrava-se rodeado e protegido, por extenso cordão policial. Gostei especialmente dos ternos momentos, em que tão viris e altivos militares, saboreavam apetitosos bolos secos Turcos. Uma espécie de pão doce, confeccionado com farinha, fermento, ovos e açúcar, enrolado como uma argola entrelaçada, semelhantes ás nossas ‘’roscas’’.

Guardei muitas imagens da ‘’patriótica’’ manifestação e do simpático corpo de polícia de choque, que parecia estar ali, apenas para cumprir um entediante horário de trabalho.

Entretanto, no meio da manifestação, o Tiago, fotografava todos os momentos e movimentos e eu, da segurança da minha janela, fotografava-o a ele, envolto pelos estandartes rubros da bandeira Turca.. Chamei a esse álbum; ‘’Les Aventures de Tiago’’.

Depois daquele inesquecível e divertido almoço, descemos novamente à Istiklal Caddesi e quando passávamos, entre a multidão, diante do consulado Grego, também ele protegido por barreiras metálicas e até por um veiculo blindado, eis que, subitamente, surgem as claques dos dois grandes clubes da cidade; o Galtasaray e o ‘’nosso’’ Besiktas, que haveria de perder esse importante jogo. Mesmo quando nos encontrávamos, no eixo central da avenida, entre os cânticos das claques, nunca em nenhum momento, nos sentimos amedrontados, ou incomodados. Espantosa capacidade de agirmos como os camaleões, disfarçando-nos por entre a realidade envolvente, quer sejam manifestações, ou jogos de futebol de alto risco. De imediato tentámos imaginar, aquela mesma cena, mas entre as claques do F.C.P., e do S.L.B., mas não nos chegou a tanto a imaginação. Assim se vide em Istambul.

Rui Neves Munhoz, Março de 2012. Uma viagem no ”Expresso do Oriente”, inventada pelos meus Amigos Inácio Rozeira e Tiago Costa, da ”Nomad”. (consultar www.nomad.pt).

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