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Budapeste

A entrada na cidade pela aristocrática estação ferroviária, de altiva fachada em ferro e vidro, é o melhor convite que a cativante Budapeste, nos oferece. Depois foi o percurso curto até ao delicioso ‘’Cotton Club’’, hotel familiar e revivalista, onde os quartos ostentam nomes do Jazz, Blues e do cinema, as paredes estão plenas de imagens das primeiras décadas do passado século. Na cave, uma sala de jogo de visual vagamente clandestino e um bar de luzes ténues e difusas, esperavam por nós. O ambiente ideal para um escritor fantasma, em busca de histórias de duplo sentido e de amores perdidos, como no livro de Chico Buarque.

Escrever sobre Budapeste, é como contar uma história de duas cidades: de um lado do rio, Buda; palaciana e real, de ruas medievais, sobre uma altiva colina, miradouro debruçado sobre o Danúbio. Do outro lado, Peste; plana e vasta, cosmopolita e de largas avenidas arborizadas, emolduradas por belos edifícios de eclética arquitectura, estende-se protegida pelo flamejante e etéreo parlamento, daquela tão maltratada democracia. O Danúbio já quase azul, salpicado de blocos de gelo, une as cidades e as pontes são como abraços, pendurados em correntes, entre as margens.

Em Budapeste, sentimo-nos bem, perdemo-nos propositadamente, entre praças e cafés de confortáveis sofás e tectos de estuques pintados. Os Húngaros são simpáticos, o ‘’goulash’’ saboroso, o chá doce e a cerveja convida-nos a conversas amenas e a gargalhadas espontâneas. Os dias correm velozes e a última noite aproxima-se, atravessamos a praça dos heróis, vastíssima como longa é a história da Hungria. Passamos junto ás pistas de gelo, onde centenas de pessoas patinam e, eis-nos num enorme complexo de nascentes termais. Uma experiência indelével espera por nós; na noite gelada de Budapeste, a céu aberto, a água jorra a cerca de 40ª centígrados e a temperatura exterior ronda os 0º. Os músculos gritam de dor, quando saímos do edifício aquecido, o choque térmico é violento, mas sorriem de prazer ao mergulhar na água quente. Depois e por mais de uma hora, sentimo-nos felizes e quentes, flutuamos entre neblinas de vapor e apenas um céu protector nos cobre. Na hora da saída, admirem-se os cépticos, não sentimos o frio gelado da noite, o corpo adormecido, resiste bem à temperatura exterior.

Nessa noite, partimos no ‘’expresso do oriente’’, mas essa será outra história.

Rui Neves Munhoz, Março de 2012. Uma viagem ”Nomad”, inventada pelos meus Amigos Inácio Rozeira e Tiago Costa e partilhada com ambos, João e Maria Flamínia, as 2 Luísas, Andreia, Paula e Paulo, Maria Antónia, Zé e Mário.

(artigo publicado no ”Magazine Nomad”, em Março de 2012).

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