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Sófia

A chegada à capital da Bulgária, após a madrugada no comboio dos contrabandistas, numa manhã ainda mais cinzenta e gelada, do que a nossa fértil imaginação nos permitiria sonhar, entre construções de carácter utilitário e vultos apressados que corriam agasalhados, fez-nos sentir personagens de um filme negro, da década de 50 do século passado. Por esta soma de razões e porque gostamos de cidades com personalidade depressiva, ficámos de imediato cativados por Sófia.

As características arquitectónicas da cidade, oscilam entre o estilo monumental socialista, a inspiração Europeia e o marcadamente oriental. Sófia nasceu na encruzilhada de invasores e foi palco de choques civilizacionais e culturais, durante muitos séculos.

As primitivas igrejas cristãs, discretas e sóbrias, quase Bizantinas, encontram-se encerradas nos pátios dos grandes edifícios governamentais, guardados por soldados que parecem bonecos de cera.

A cidade velha, com alguma influência Otomana, apresenta parques, largos e ruas em declive, com muitas colinas de neve, que quase afogam os bancos de jardim e as estátuas.

Junto à catedral a praça é ocupada por vendedores que expõem fascinantes objectos, de um imaginário saudosista: gorros de pele; ostentando estrelas, foices e martelos cruzados; antigas medalhas e condecorações socialistas; velhas máquinas fotográficas, bandeiras, livros, e gravuras antigos, num universo paralelo e utópico. Em qualquer rua, ou praça de Sofia, surgem repentinamente, pequenas bancas de venda ambulante, quer sobre a carcaça de um velho automóvel, quer sobre um pequeno banco desmontável. Assim se vive e sobrevive numa capital de União Europeia.

Mas os nossos dias em Sófia, também foram tempo de alguns sustos e de não menores imprevistos: entre comboios suspensos e a peregrinação pelas esquadras de polícia, (para bom entendedor meia palavra basta), tudo se resolveu, com espírito prático e algum sentido de humor.

Tudo se ultrapassa nos belíssimos, cafés e restaurantes da cidade, onde uma fabulosa e confortável decoração se alia à melhor das culinárias e a uma saborosa e quente aguardente.

Sófia oferece-nos um povo simpático e afectuoso, a quem a barreira da língua não impede a comunicação, ou não fora a memória do rei Boris, que há um século, conduzia ele próprio, o ‘’expresso do oriente’’, o melhor retrato dos Búlgaros.

Rui Neves Munhoz, Março de 2012. Viagem inventada pelos meus Amigos Inácio Rozeira e Tiago Costa, da ”Nomad”. Aventura no ”Expresso do Oriente”, partilhada com o Inácio e o Tiago, a Maria Flamínia e João, as 2 Luísas e a Andreia, o Mário, a Paula e o Paulo, a Maria Antónia e o Zé.

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