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Numa livraria de Istambul, Istiklal Caddesi, as 2 Luísas, a Andreia, o Mário e o Inácio.

A Turquia é uma‘’democracia musculada’’, mas alguns países, membros de pleno direito da União Europeia, também podem ser assim definidos; a Hungria, por exemplo. E Portugal caminha, a passos largos, para também ser uma ”democracia musculada”, já são visiveis os tiques de autoritarismo primário e a esquisofrenia politica e partidária.

O grande crescimento económico e populacional, aliado a um crescente conservadorismo de costumes e atitudes, tendo por base a religião, tornaram-na a eterna e adiada candidata à entrada na União Europeia. E o maior erro da comunidade, foi ter mantido a Turquia à porta, quase eternamente à espera, de alcançar uma miragem, chamada Europa. Até que os Turcos se cansaram desse continuo esperar, sem que as portas se abrissem. Esse foi o maior erro da Europa e assim se destruirá esta comunidade desigual e utópica a que um dia, há mais de 5 décadas, alguns homens de boa fé, chamaram de Europa unida.

A Turquia laica, constitucional e republicana, tem sido deixada à porta da Europa, devido a infundados e xenófobos receios dos directórios Franco Germânicos que nos governam. Tamanha cegueira dos ‘’clube dos ricos’’, apenas serve para envelhecer a União Europeia e sombrear a paz futura do velho continente. O futuro da Turquia é a Europa e o futuro da Europa, deveria ter sido, desde há muito, uma abertura à Turquia. Pois a Turquia é um pais charneira entre mundos diferentes e, só ela pode funcionar como elemento aglutinador dessa diversidade. É elemento fundamental com relações económicas e políticas preferenciais com o médio oriente e, até há pouco tempo, também com Israel, mas nem Europeus, nem Israelitas, souberam beber dos ensinamentos Turcos.

Se prevalecermos na cegueira colectiva de encerrar as frustradas portas Europeias à Turquia, condenaremos esta exangue União Europeia, a uma decadência dolorosa. Porque a uma Europa comunitária, velha e caduca, complexada e xenófoba, apenas uma renovação geracional e cultural, livre de preconceitos e vícios, aportará a sobrevivência.

Sempre que regresso à Turquia e, neste caso específico, a Istambul, sinto-me como se regressasse a uma casa, na qual se passam sempre e apenas breves dias, mas que nos deixa o doce sabor da saudade. Assim é a magnifica e milenar Istambul.

Rui Neves Munhoz, Março de 2012. No final da aventura no ”Expresso do Oriente”.

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