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Lago Tonle Sap

Numa manhã quente e húmida, do último dia de 2012, saídos do hotel em Phnom Penh, montados num apressado ‘’tuc-tuc’’, rumámos aos cais do Basac, um braço do caudaloso Mekong. Depois de apressado embarque e arrumadas as mochilas, num esconso porão, ocupámos lugares, na proa e cobertura. O gargalhar sonoro de um grupo de Italianos, nossos companheiros de viagem fluvial, animava a manhã. O céu nublado e cinza, protegia-nos enganador, pois o Sol e os seus raios disfarçados, queimavam já as brancas e ‘’tugas’’ peles.

Uma longa viagem de mais de 7 horas, haveria de conduzir-nos a Siem Reap, para uma animada noite de passagem de ano, mergulhados em cerveja que jorrava das janelas e varandas, mas essa será outra história.

Naquela deliciosa manhã, as margens afastavam-se suavemente, aluviais e verdejantes, de baixos e suaves contornos, apenas interrompidas por desalinhado casario, construído sobre alta e esguia estacaria em madeira e por casas barcaças, flutuantes, nas lodosas margens. Aqui, ali e acolá, as crianças acenavam alegremente e nós respondíamos com o mesmo espírito afectuoso, que os Cambojanos nos haviam ensinado já, em tão escassos dias de estadia.

Ao fim de algumas horas, o rio alargava-se até que os olhos já não alcançavam as margens, apesar de estarmos na estação seca, o que tornava a viagem, mais lenta.

O lago Tonle Sap, o ‘’grande lago’’, na estação chuvosa, agiganta-se e alarga-se como um imenso mar interior, até aumentar de superfície 10 vezes. Ele irriga férteis margens, prepara as terras em extensos arrozais e alimenta de peixe, toda a região central do Cambodja.

Durante as monções, as águas dos rios e do lago, sentem-se aprisionadas pelo distante mar e, alteram as correntes fluviais de fortíssimos caudais, criando um raro fenómeno de retorno de marés.

Depois de longas e escaldantes horas, quando já se esgotaram as bolachas, a água e até o protector solar, mas não as saborosas conversas. Escoava-se lento o tempo; o Jorge dormia e a Catarina falava, a Ema dormia e a Catarina falava, todos calados e a Catarina falava, é bom viajar com a Catarina, é mesmo muito fixe viajar com a Catarina. Os minutos pareciam horas, lentos, húmidos e escaldantes, enquanto a linha de horizonte parecia perdida. Caminhava decadente a tarde, quando avistámos terra e clamámos em uníssono, como perdidos marinheiros: ‘’…terra à vista, terra à vista…’’. Já para o final do dia, as margens voltavam a apertar-se e, o ‘’lago de águas frescas’’, estreitava-se num braço de rio, de baixas e lamacentas águas. Muitas pequenas barcaças, preenchiam a paisagem e o sol inclemente, continuava a dominar o dia.

O casario sobre estacas e o cais de Siem Reap, esperavam por nós. Mais à frente, já carregados com as mochilas, sujos mais do que o necessário, cansados mais do que o suficiente e, transpirados mais do que o conveniente, encontrámos o ‘’Batman’’! Não o personagem de ficção, alto e espadaúdo, mas o amigo do Jorge, motorista e empresário de ‘’tuc-tuc’’, que em poucos minutos, se transformou em nosso amigo e não mais esqueceremos, mesmo que não mais o reencontremos. Assim se criam laços e se tecem amizades no belíssimo Cambodja. Reino onde o melhor soberano, é o aquele povo afectuoso e que nos recebe, de braços abertos. Assim é bom viajar, conhecer e aprender.

 

Rui Neves Munhoz, Dezembro 2012/Janeiro 2013. Uma viagem inventada pelo meu Amigo Jorge Vassallo e pela ”Nomad”. Com a Olga, Catarina e Joana, Lu e Inês, Mariana e Patrícia, Ema e Manuel, o Jorge e myself. Para não esquecer.

 

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