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O Cambodja, implantado no centro da península da Indochina, sofredor e sofrido, pela má vontade de alguns e desespero de muitos. Encravado entre a Tailândia, o Vietname, o Laos e o mar, é plano, aluvial e no seu coração bate um grande lago, o Tonle Sap, que se alarga e multiplica por dez, quando os benevolentes deuses, enviam a monção e as chuvas retemperadoras da cansada e fértil terra. O reino é quase plano, lacustre e o seu coração bate nas planícies densamente povoadas de férteis arrozais, quente e húmido, caloroso no clima e na afectividade de um povo que nos recebe de braços abertos, característica comum na Indochina; no Médio Oriente; em África e na América Latina. Aqueles que menos têm, são os que mais e melhor sabem dar, nem que seja um sorriso, ou um abraço, que são bem mais importantes do que os bens materiais.

O reino é muito antigo, maioritariamente Khmer, mas com algumas minorias étnicas, tem uma população jovem e essencialmente rural, o idioma oficial é o Khmer, há imigrantes de cultura Chinesa e Vietnamita, mas as elites e os mais idosos, ainda sabem e falam Francês.

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A história do Cambodja, já desde os remotos primeiros séculos da nossa era, evoluiu compartimentada entre os vizinhos gigantes; a China e a Índia, mesmo durante o império Khmer, entre o século IV e o século XV. As influências religiosas, primeiro do Hinduísmo e depois do Budismo, (a partir do século XIII, introduzido por monges do Sri Lanka), viram a condicionar toda a vida quotidiana. Com o decorrer dos séculos, as influências externas alteraram-se, a partir do século XVI e, durante 3 longos séculos, o reino oscilou entre a dependência dos reinos vizinhos da Tailândia e Vietname. Em meados do século XIX, o soberano, colocado no poder pelos Tailandeses, perante o clima de permanente conflito entre os 2 reinos vizinhos, volta-se para a França, pedindo protecção, cedendo soberania, mas recuperando territórios. O protectorado Francês, manteve-se por cerca de um século, até 1953; integrando-se o reino do Cambodja, na colónia da Indochina Francesa.

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Norodom Sihanouk, colocado no trono, pelos Franceses, acaba por ser o artífice da independência do Cambodja. Mas com a independência, o Cambodja volta a perder território, o delta do Mekong, para o vizinho e rival Vietname.

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Com o decorrer das décadas de 50, 60 e 70 do século passado, foram as décadas de chumbo do Cambodja. Ás independências na Indochina, sucederam-se ténues equilíbrios e grupos extremistas, guerras e movimentos revolucionários, invasões e ocupações estrangeiras, bombardeamentos maciços e êxodos populacionais. A guerra no Vietname, lançou tentáculos destrutivos por toda a Indochina O rei Sihanouk conseguiu manter um regime democrático, algo precário e neutral, perante a guerra do Vietname, opondo-se aos presidentes Norte Americanos. Então e durante uma longa viagem a Moscovo e Pequim, em 1970, o rei foi deposto pelos militares adeptos da linha dura e desejosos de participar na guerra no Vietname. Os presidentes Norte Americanos rejubilaram. O Cambodja passou então a fazer parte do roteiro da guerra; os denominados ‘’Khmer vermelhos’’, de triste memória, entraram em Phom Penh em Abril de 1975 e uma longa noite de terror e medo, desceu sobre o Cambodja, até que, m 1979, os vizinhos Vietnamitas invadiram o Cambodja e depuseram os tiranos torturadores. A instabilidade e o autoritarismo, continuaram a reinar e só no final do século XX, o reino do Cambodja, reencontrou a paz, num lento processo de democratização. Desde a independência, em 1953, reduzidos foram os dias e os anos, de tréguas e alegrias, demasiados foram os tempos de medo e de ódio, de guerra e de tortura.

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Chegámos a Phom Penh numa noite quente e húmida do final de Dezembro de 2013. Havia encontrado já, a Catarina, a Joana e a Inês, em Beijing; mais tarde encontrámos a Lu e a Patricia, algures entre Guanghzou e Phom Penh. O Jorge esperava por nós pendurado num gelado e acompanhado pela Mariana, no aeroporto de Phom Penh, a tribo completava-se. A aventura no Cambodja, começou nessa mesma noite, numa esplanada, partilhando conversas, debruçados sobre cervejas Angkor. É bom sentirmo-nos bem, no reino do Cambodja.

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Permanecemos saborosos dias, em Phom Penh, sem grandes planos e com tempo para viver e sentir a capital. Rumámos a Siem Reap, numa viagem quente e húmida, através dos braços do Mekong e do lago Tonle Sap. Perdemo-nos propositadamente entre as pedras e memórias de Angkor. Atravessámos a região central do Cambodja em direcção à fronteira Tailandesa. Os dias passados no reino do Cambodja, correram céleres e deixaram as indeléveis saudades, que me assaltam, sempre que me sinto feliz, em qualquer lugar do mundo; porque a minha casa é o mundo.

Dezembro de 2012 / Janeiro de 2013: viagem inventada pelo Jorge Vassallo e pela ”Nomad”, partilhada com a Ema e Manuel, Catarina e a Joana, Inês e Lu, Mariana e Patrícia, Olga e por este narrador.

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