Cheguei a Amman, vindo de Madrid Barajas e mais uma vez perdi-me no ‘’terminal 4’’ do aeroporto da capital Espanhola. Confesso que o tal ‘’terminal 4’’ é uma maravilha da Arquitectura contemporânea, obra do megalómano Richard Rodgers, mas parece uma Babilónia caótica. Ao gigantismo desmesurado dos dois quilométricas e intermináveis terminais, o ‘’4 HJK’’ e o ‘’4MRSU’’, onde devem caber umas quantas catedrais Europeias, alia-se a mais completa falta e falha dos sistemas de informação, tanto a nível humano, como técnico. Como é possível que a tamanha beleza e monumentalidade corresponda tanta desorganização. Enfim, continuarei a fazer escala no ‘’terminal 4’’ de Barajas e continuarei a perder-me por lá. Como único consolo cabe-me registar que são os próprios Espanhóis, aqueles que mais perdidos, e desorientados, navegam nos comboios eléctricos subterrâneos, sem motorista, que ligam as belas salas hipostilas do ‘’terminal 4’’.

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Foi a primeira vez que viajei na ‘’Royal Jordanian’’ e gostei, gostei muito mesmo. Aterrei no ‘’Aeroporto Rainha Alia’’, em Amman. O nome bonito deve-se ao facto de, há algumas dezenas de anos, o avião onde viajava a Rainha Alia, casada com o Rei Hussein da Jordânia, se ter despenhado ali, naquelas pistas.

Fico sempre agradavelmente impressionado com a rapidez e simpatia com que sou tratado em muitos aeroportos, o que nunca aconteceu nesta ‘’minha pouco ditosa pátria madrasta’’. Estou a imitar Jorge de Sena.

Em poucos minutos, já com a minha bagagem, vejo um Jordano engravatado, guia oficial identificado, de um operador turístico Jordano, com um cartaz no qual estava escrito o meu nome. Espantado, mas animado, senti-me quase como um político Tuga em visita oficial ao Reino Hachemita. Tratámos rapidamente do visto de entrada individual, com o preço de 10 Dinares, ou 10 Euros, para ter completa autonomia de atravessar as fronteiras Jordanas para Israel, Síria, Palestina e Egipto, individualmente e de forma autónoma. Apenas dez minutos depois de aterrar, fui bem instalado num carro com motorista, apenas eu, e encontrava-me já a caminho de Amman. Em menos de 30 minutos encontrava-me instalado num magnífico quarto, no confortável ‘’Hotel Toledo’’, de 3 grandes e brilhantes estrelas, no centro da capital. Nem tive que carregar bagagem, nem fazer check in, o meu companheiro motorista tratou de tudo. Eu que não gosto, nem fui habituado a mordomias pseudo, e pequeno burguesas, porque tenho bons braços, boas pernas e sei ‘’desenrascar-me’’ até em Quechua, ou Swahili, se tal for necessário, estranhei a forma de tratamento. Mas como se costuma dizer: ‘’está feito, está morto’’, nunca mais me lembrei do assunto.

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Só na última noite em Amman, senti que a minha chegada à Jordânia, não tinha sido muito normal, a não ser que um tipo de recepção e tratamento individualizado, muito pessoal e intimista, fosse reservado a todos aqueles que entrassem no Reino da Jordânia. O que não me parecia ser, nem prático, nem viável.

Tinha regressado à capital, num final de tarde, bem quente de Agosto, vindo do Sul do País, de Petra e Wadi Rum, pela auto-estrada do deserto. Depois de cerca de 300 quilómetros, num autocarro com poucos passageiros, que foi despejando nos muitos hotéis de luxo de Amman, até que chegado à minha ‘’residência oficial Jordana’’, no ‘’Toledo’’, procurei informar-me na recepção, como seria a melhor forma de, na manhã seguinte, chegar ao aeroporto Rainha Alia. Fui prontamente informado de que teria apenas, que esperar no ‘’Lobby’’, à hora combinada e que me foi indicada, por um transporte para o aeroporto. Quando perguntei como reconheceria o dito transporte e se o ‘’transfer’’ pertencia ao hotel, responderam-me com a simpatia, eficiência e prontidão característica dos Jordanos: ‘’…não há problema, eles reconhecem-no…’’ e não voltei a pensar no assunto.

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Na manhã seguinte, com pontualidade britânica, um carro tamanho XL, que não era um táxi, nem um mini-bus, com motorista e um acompanhante também engravatado, que se identificou como sendo executivo da tal agência oficial de turismo Jordana, veio recolher-me no ‘’Toledo’’ e transportar-me ao aeroporto. Como sou um viajante sortudo em termos linguísticos, mantivemos uma animada conversa na língua de Cervantes, temperada com açúcar Colombiano, pois o meu novo amigo executivo, chamado Ramadhan, como o nome sagrado do nono mês do calendário Islâmico, era filho de uma Colombiana, casada com um Jordano. Foi ele que me acompanhou ao balcão da ‘’Royal Jordanian’’, fez o check in, tratou da bagagem e esteve ao meu lado no tradicional ritual de despejar bolsos, raio x, descalçar e apalpar, que acredito deva ser já o maior acto colectivo mundial, celebrado como uma nova religião monoteísta, de carácter universal, em todos os aeroportos do mundo. Eu já estou tão habituado a estas intimidades, em público, que até começo a gostar e a retirar certos prazeres ocultos. Se calhar estou a ficar exibicionista.

Como o meu registo de escrita é demasiado coloquial, pseudo intimista e desorganizado, usando e abusando de prolepses, (antecipando acontecimentos futuros na narrativa), e analepses, (fazendo relatos de acontecimentos anteriores ao tempo presente da história, ou mesmo do início da acção), e outras anacronias, não pela necessidade da narrativa, mas apenas devido à minha forma caótica de escrita. Tenho agora necessidade de recuar no tempo até à semana anterior à minha partida para a Jordânia, para contar uma pequena história:

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Não houve planeamento adequado para a viagem à Jordânia. Era um destino há muito ansiado, mas sempre adiado pela antecipação de outras viagens e por eu o considerar como um destino caro, para uma viagem curta. Foi assim que pouco mais de 1 semana antes da viagem para Jordânia, sei que vou para a Jordânia.

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Agora duas informações não fundamentais, mas adequadas ao interesse de cada um: os vistos de entrada podem ser concedidos de forma gratuita, e completamente aleatória, a grupos de 5 pessoas, desde que chegadas no mesmo voo. Não necessitam de ter qualquer vínculo entre si, nem que o operador seja o mesmo. A única condicionante neste procedimento é que, para atravessar as fronteiras terrestres Jordanas, o façam em conjunto todos os elementos englobados no visto de grupo. Esta cláusula, adequada para a maioria dos visitantes, tornava-se demasiado inibidora para os meus propósitos da viagem.

Estão isentos do pagamento de taxas de saída, todos os voos de carreira regular, sendo obrigados ao pagamento das mesmas, todos os voos charter.

Parti para Amman com o mesmo espírito com que me levanto todas as manhãs para ir trabalhar, é apenas mais uma viagem, como se fosse mais um dia, que começa e que termina, sem ideias preconcebidas, preconceitos e complexos, de espírito aberto, livre e curioso, apenas com a bagagem essencial e dinheiro quanto baste, ou quanto haja, máquina fotográfica, cartões, caderno de notas e um livro.

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