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O Irrawaddy é o coração vibrante de Myanmar, ele estende-se por mais de dois milhares de quilómetros, desde a montanhosa fronteira Chinesa, até mergulhar lamacento, com muitos braços abertos, num enorme delta sobre mar de Andaman. Alimenta uma vasta bacia hidrográfica de cerda de meio milhão de km2. Se os caprichos da natureza tivessem desviado este grande rio das planícies de Burma, então os reinos da Birmânia não teriam existido. O rio cobre-se por densas nuvens de fortíssimas chuvadas, durante muitos meses por ano, é esse clima quente e húmido, de forte pluviosidade, que oferece à Birmânia as férteis terras, que alimentam os seus habitantes. O rio de nome impronunciável, foi beber o nome ás raízes do antigo Sânscrito e de deuses Hindus. Alimenta-se, de Norte para Sul, como a maior parte das vias fluviais da Indochina, pelas águas que escorrem dos Himalaias. É nas suas margens que vive a maior parte da população de Myanmar, o rio é o coração e a estrada de um país. Os Britânicos, com inequívoco espírito poético e sentido prático, chamaram-lhe a ‘’estrada para Mandalay’’. Também nós; ‘’tugas’’ de corpo, mas cidadãos do mundo em espírito e atitude, seguiremos dentro de alguns dias, essa magnifica estrada líquida, rumo a Norte.

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À Birmânia e ao Irrawaddy não lhes seria permitido existirem, um sem o outro, são inseparáveis, geográfica e culturalmente. Sonhei com o grande rio Irrawaddy, desde os meus primeiros anos de juventude, quando, mais do que ler saboreando, devorava livros de aventuras em lugares distantes, sabendo que um dia, mais tarde ou mais cedo, os poderia conhecer.

Quando o avião que me transportou de Guangzhou para Yangon, onde eu era o único branquinho desbotado, fez uma larguíssima curva, sobre o Sul de Myanmar, vi pela primeira vez, com olhos de ver, o desmesurado delta do Irrawaddy de largos braços lamacentos abertos.

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 Numa manhã quente de Mandalay, os nossos amigos e ‘’drivers’’, conduziram-nos a um oscilante cais de embarque, em toscas pranchas de madeira. Despedimo-nos com a mesma afectuosidade que eles nos souberam transmitir e ensinar e embarcámos para uma viagem fluvial de mais de 10 horas, rumo a Bagan.

Percurso lento e animado, ao longo de um calmo dia, em que trocámos amenas conversas, jogámos fora palavras, comemos e bebemos muito, gargalhámos, com a fúria de japoneses fanáticos, escrevemos e dormitámos. A paisagem passava lenta e verde, o caudal barrento corria ondulante e o destino aproximava-se com o cair do Sol.

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