É a segunda cidade de Myanmar, deitada sobre as baixas margens do Irrawaddy, em redor de uma colina. Implanta-se no centro do país, é uma urbe já bastante populosa, algo mais de um milhão de almas. Foi capital do reino, por um curto período, no final do século XIX.

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Se um dia, Buda deixou a marca do seu sagrado e beatifico pé, em Mandalay, não o sei, mas prefiro acreditar, pois sinto-me fascinado pela magia indecifrável, mas lúcida, das religiões. Gosto das histórias, que muitos sagrados textos nos contam, leio-os como contos de fadas para gente crescida.

A cidade, gozou dos favores reais dos muitos soberanos dos reinos da região, prosperou graças aos favores de Buda e dos homens comuns.

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Mandalay é uma cidade bonita, agradável, vasta e quase plana, desenhada por largas avenidas em torno de um núcleo urbano histórico; a cidade real, protegida por largo fosso, delimitada por fortes muralhas coroadas por elegantes torreões de telhados com retorcidos beirados. No interior da cidadela, abriga-se o magnífico palácio real; conjunto de muitos edifícios em madeira, de vermelhos telhados sobrepostos, com arrebitados e retorcidos vértices, numa belíssima e arriscada composição arquitectónica, já por diversas vezes destruída e mutilada por grandes incêndios. As construções independentes, mas ligadas por galerias e pátios, desenham-se implantados em redor de largos relvados, coroadas por um cilíndrico torreão em madeira, criando uma bucólica e histórica cenografia. 

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A primeira surpresa que o Jorge, nos preparou em Mandalay, foi um passeio de bicicleta, cada um na sua ‘’buga’’ e, todos em conjunto, num mergulho pelo trânsito caótico de uma grande cidade. Os primeiros minutos foram os mais difíceis, sem o suficiente treino, em circular a pedal, na Indochina. A regra foi seguir a multidão e o Jorge, sem tomar iniciativas arriscadas, mas também sem hesitações. A Maria José e o Marcos, optaram por serem conduzidos, numa bicicleta com ‘’sidecar’’, como verdadeiros burgueses colonialistas! Ao fim de uma hora, já estávamos ‘’prós’’ e até ao repentino cair da noite, foi aquele o nosso meio de transporte. Pedalámos felizes, pelas ruas de Mandalay, como uma nova tribo de um saudoso ‘’Verão Azul’’, com uma única diferença, não soubemos assobiar a banda sonora da série.

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No dia seguinte, ainda o Sol não despontara e, nova surpresa, inventada pelo Jorge, acontecia. Junto à ‘’nossa casa’’, em Mandalay, alinhavam-se já as motorizadas com os respectivos motoristas. Aconteceu mais um dia de festa e, durante muitas horas, os ‘’drivers’’ conduziram-nos pelos arredores da cidade, num percurso pelas sucessivas capitais reais dos pequenos reinos Birmaneses de outrora. A paisagem envolvente, verdejante e salpicada de muitas agulhas de fulgentes dourados, em ambas as margens do Irrawaddy; o calor forte e opressivo; um céu ora plúmbeo, ora luminoso, todos os elementos se conjugavam para mais um inesquecível dia.

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Vimos Budas dourados e gordos por camadas sucessivas do nobre metal, colocadas sobre a sua primitiva imagem. Descalçámo-nos dezenas de vezes para entrar nos sagrados recintos. Assistimos a orações e venerações e ás lavagens dos pavimentos marmóreos dos desmesurados templos. Em tudo, Mandalay nos fascinou.

Não gosto de comparar lugares e pessoas, mas não resisto a aqui escrever que em Mandalay, recordei a velha cidade de Hué, digníssima capital real do Vietname central, onde permaneci alguns dias, já há alguns anos

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O elemento central e fulcral da essência cultural de Mandalay, é indissociável da religião Budista; algumas centenas de pagodes, povoam a cidade. Não sei o nome de todos os que vi, nem tão pouco dos que não vi, apenas sei que me senti infeliz por ser homem de pouca fé, em Mandalay, mas feliz por lá permanecer por alguns dias.

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A cidade é coroada por uma soberba colina; o monte Mandalay que esperava por nós, num final de tarde. Ao longo de pouco menos de 2 milhares de degraus, alinham-se pequenos templos e muitas lojas e, no topo; debruçamo-nos sobre a vasta cidade, até onde o horizonte permite e a vista alcança.

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Todos os espaços religiosos de Mandalay, são plenamente vividos e usufruídos, plenos de fiéis devotos, de vozes e orações, de gargalhadas e devoções, de comércio, em suma de vida plenamente vivida. Assim se vive e se sente em Myanmar.

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Nas planícies aluviais que cercam Mandalay, os nossos motorizados motoristas, conduziram-nos à belíssima ponte de U Pein. Atravessámo-la serenos e lentos, para que o tempo não se escoasse veloz. A longa e elegante ponte, construída em madeira de teca, de aparência frágil, mas vetusta de mais de dois séculos, belíssimo abraço entre as duas margens do rio. Naquela alvorada cinza, rasgada por ténues raios de luz, cruzámo-nos com serenos monges e olhámos jovens pescadores em precários equilíbrios, debruçados sobre os madeiramentos da ponte.

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No regresso, cruzámos o largo e pouco profundo rio, em estreitas e longas barcaças, como que dançando entre as centenas de pescadores que, de pé e com água pelo ventre, lançavam as altas canas ao encontro de pequenos peixes.

As fraquezas humanas, não nos permitem, conhecer e aprender, sem comer e, quando parávamos para os petiscos, bebíamos sempre saborosíssimas cervejas, tiradas à pressão. É bom viajar em Myanmar.

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Os dias de Mandalay, escoaram-se rápidos entre as constantes descobertas de templos Budistas, por toda a cidade e de palácios na cidadela real; entre saberes e sabores, dos deliciosos manjares regados com fresca cerveja e desfrutando dos ritmos e sentidos da cidade.

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